segunda-feira, 11 de abril de 2011

Como se produz a intervenção terapêutica no atelier de contos?

Por Priscila S. Scalabrin

O estágio ocorreu em um atelier de contos de uma creche da rede pública de Porto Alegre,  no segundo semestre de 2010 para 4 meninos de 4 e 6 anos de idade, os quais apresentavam “problemas de relacionamento”. O momento do atelier era composto pela recepção afetuosa das crianças, contação da história, escolha da parte que mais tenha chamado a atenção de cada uma delas e atividade lúdica (na maioria das vezes foi o desenho).

Nas observações do atelier em meio a olhares e palavras; faltas, afetos e desafetos e tantos outros elementos, percebi um desconforto quanto ao que “ganhava voz” e era elegível nas intervenções com as crianças. Surgindo, em seguida, a questão acerca de como se produz uma intervenção terapêutica que promova, de fato, o desenvolvimento saudável e integral das crianças e que seja baseada em respeito, afeto, continência e valorização das potencialidades de cada um, considerando-as sujeitos capazes, autônomos e livres.

Ferro, Winnicott, Gutfreind, Foucault e P. Freire são alguns dos autores que corroboram as ideias de que a intervenção terapêutica no atelier de contos é muito mais da ordem do encontro e da inter-relação entre a criança e o adulto, no potencial de vínculo, afeto e troca do que nos desenhos em si e suas interpretações, nas mensagens que os contos carregam ou no cumprimento de regras.  Objetivamente, a intervenção terapêutica precisa oferecer  escuta aberta e livre de julgamentos prévios a respeito do que as crianças sabem, pensam e gostam; permitir a emergência de novas maneiras de experimentação da vida através do brincar; provocar a expressão das experiências e vivências da criança; permitir a criação de novos modos de “ser e fazer” do atelier para além da lógica da sociedade de controle e disciplina; entre outros.

[Resumo do meu Projeto de Intervenção 2010/2]

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